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10 dicas para se proteger da Violência Obstétrica

Parir no Brasil não é algo simples. Ao se informar sobre parto, a grande maioria das mulheres se vê em um dilema entre um parto normal violento ou uma cesárea desnecessária.


Será que é possível fazer alguma coisa para se proteger da violência obstétrica? Trago aqui 10 dicas para te auxiliar nessa caminhada da parentalidade.


1. Entenda o que é a Violência Obstétrica: Existem algumas situações nas quais a violência é mais escancarada (como casos de agressão física à mulher em trabalho de parto, por exemplo). No entanto, podem ocorrer violências mais sutis (como impedir que a mulher em trabalho de parto se alimente). Além disso, saiba que qualquer profissional envolvido nos cuidados da mulher durante todo esse período pode praticar violência obstétrica (ou seja, não é um termo usado exclusivamente para os atos dos médicos). Só é possível se proteger daquilo que a gente reconhece como violência.


2. Pesquise sobre todas as opções que você tem na hora de escolher o local de parto: Não descarte a possibilidade de ir para o SUS (pois em muitas cidades, os médicos mais atualizados e baseados em evidências científicas estão lá). Quando estiver pesquisando, vá além das informações fornecidas pela própria maternidade. Não olhe apenas se há salas bonitas e equipadas para parto normal. Procure relatos de mulheres que tiveram seus partos nesses lugares. Aproveite a facilidade da internet, converse com essas mulheres, entenda as expectativas que elas tinham sobre seus partos. Pergunte como elas foram tratadas, se foram respeitadas, se tiveram possibilidade de escolhas. Essas mulheres são a melhor fonte de informação sobre como a maternidade realmente trata as mulheres em trabalho de parto. Caso sua realidade permita contratar equipe particular para te assistir, use a mesma estratégia de conversar com quem já foi atendida por essa equipe, buscando entender se são profissionais realmente humanizados e atualizados.


3. Visite o local escolhido para o parto: Durante sua visita, faça perguntas para se informar sobre os protocolos, e questione se sentir necessidade. Por exemplo, pergunte sobre a alimentação da gestante durante o trabalho de parto, sobre a possibilidade de usar métodos para alívio da dor, se é comum fazerem lavagem intestinal (enema), pique durante o parto normal (episiotomia), se todas precisam do sorinho (ocitocina). É muito difícil se proteger de Violência Obstétrica se essas violências forem parte do protocolo da instituição.


4. Estude sobre parto, sobre o processo fisiológico, o que esperar do seu corpo neste momento: Saiba como reconhecer a fase ativa do trabalho de parto para não ir à maternidade cedo demais. Quanto antes você for à maternidade, mais tempo fica sob os cuidados médicos e mais tempo sob os protocolos da instituição. Assim, maiores as possibilidades de sofrer intervenções desnecessárias e Violência Obstétrica.


5. Saiba o nome das principais intervenções realizadas nas maternidades e quando são realmente necessárias: Aprenda quando é realmente necessária uma cirurgia cesariana. Quanto melhor informada você estiver, mais difícil será te enganar. Intervir demais, medicar demais e acelerar o parto também são violências.


6. Tenha um(a) acompanhante bem preparado(a), calmo(a), seguro(a) e assertivo(a): Exija a presença dessa pessoa durante todo o período de pré parto, parto e pós parto (conforme a legislação determina). Nos momentos em que você estiver mais envolvida no processo de parto, poderá viver essa experiência sem se preocupar, já que tem alguém ali, com você, que compreende seus desejos, questiona a equipe em seu nome e valoriza a sua segurança e do seu bebê. Essa pessoa precisa estar alinhada com você, diminuindo os riscos de intervenções e violências.


7. Participe de rodas de gestantes, assista lives, ouça podcasts, assista documentários, siga redes sociais de profissionais confiáveis, acompanhe os eventos da Gestar: Aproveite a facilidade que a internet traz de se conectar com muita gente que pensa como você! Isso fortalece suas escolhas, e muitas vezes aprendemos demais com as experiências de outras famílias. Ter informação e saber quando usá-la é ter poder!


8. Elabore seu plano de parto: Coloque nesse documento o que você deseja em relação ao parto, quais procedimentos aceita, quais não aceita, e quais estão abertos à discussão. Imprima várias cópias deste documento e leve com você no dia do parto. Uma das cópias pode ser grampeada junto ao seu cartão de gestante. Entregue outra no momento da triagem, outra à enfermeira responsável pelo plantão, e mais uma à Obstetra responsável. Deixe mais uma cópia com o(a) acompanhante, e peça para que ele(a) garanta que todos os profissionais saibam o que você deseja. Este documento informa à equipe quais os seus limites, e pode prevenir possíveis violências.

9. Monte sua “caixinha de ferramentas” para o alívio da dor: No dia do parto, tenha a mão tudo aquilo que pode te auxiliar a viver o momento de forma mais leve. Pode ser, por exemplo, fones e uma playlist de músicas que te agradam, óleos de massagem, bolsa térmica, bola de pilates, comidinhas gostosas, seu chinelo favorito... Enfim, priorize seu conforto. Mulher confortável e segura tende a precisar de menos intervenções, o que diminui os riscos de violência.


10. E por último, mas provavelmente a melhor dica - se for possível, tenha uma DOULA: Somos profissionais que fornecemos muitas destas informações importantes (por exemplo, sobre maternidades ou profissionais específicos), além de te orientar nos estudos sobre a fisiologia do parto, intervenções, indicações de cesárea e elaboração do plano de parto, preparo do(a) acompanhante, auxílio com os métodos de alívio de dor. Vários estudos apontam que nossa presença diminui a violência obstétrica.



Esse texto faz parte da Campanha #naLutaporGestar que tem o objetivo de combater a Violência Obstétrica através da informação.


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