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Carta aberta para a mãe que não conseguiu amamentar

Estamos no mês de agosto, e hoje vamos juntar dois temas importantes, a amamentação e a comemoração do dia do psicólogo (a). Pois (hoje) 27 de agosto celebramos a regulamentação da psicologia como profissão.


Então, você pode pensar: “mas a amamentação no peito não é algo natural, orgânico? O que tem a ver com as emoções e sentimentos?” E eu respondo, está tudo interligado.

Primeiro gostaria de enfatizar a importância do cuidado emocional ainda na gestação, mesmo que esteja tudo “bem”. Pois o acompanhamento nesse período traz conhecimento, auxilia no fortalecimento de suas capacidades, possibilita pensar estratégias, principalmente frente aos desejos e idealizações da amamentação no peito. A falta de informação pode gerar preocupações, aumento da ansiedade, insegurança, desencadeando expectativas frustradas no pós-parto, justo nesse momento em que muitas mudanças estão acontecendo ao mesmo tempo.


A amamentação no seio depende sim de uma produção hormonal, física, mas suas emoções podem ter grandes influências nesse momento. Ouço muitas vezes no consultório as puérperas falarem que nunca pensaram na amamentação durante a gravidez. Muitas ainda olham isso seguindo o modelo das revistas, uma linda mulher, bem arrumada, em sua cadeira de amamentação, seu bebê mamando no peito, tudo de forma plena após o nascimento. Mas quando chega sua vez, você descobre que existe uma pega correta, que o bico do peito pode rachar, que isso dói muito, além de outras tantas situações que podem impedir a amamentação no seio.



Ou ainda, você não tem vontade de amamentar no seio, mas se sente pressionada pela família e sociedade. É muito importante que, independentemente da situação, querendo e não conseguindo amamentar ou não desejando amamentar no peito, você olhe para suas emoções, sem culpa, sem um olhar de condenação. De outras formas você também amamenta seu filho.


Sabemos que o aleitamento materno tem sua importância, não só para o desenvolvimento físico, mas também na criação do vínculo, não estou ignorando isso. Mas deixa eu te dizer uma coisa: se isso não der certo para você, TUDO BEM! Você pode nutrir seu bebê através de outro método com afeto, com carinho, e proporcionar a criação do vínculo.

Para isso você só precisa de um desejo interno, uma aceitação da sua realidade possível, do amparo de uma forte rede de apoio. Por isso a importância de um acompanhamento psicológico também na amamentação, para que possamos trabalhar suas aflições e medos, olhando para sua maternidade real, sem culpa, sem cobrança por situações que não saíram como você esperava. Pois talvez sejam elas que estejam barrando sua vivência da amamentação.


Todo esse processo necessita de tempo, cuidado e um olhar singular para sua realidade. Não podemos defender bandeiras, sem olhar a particularidade de cada situação. Isso é cruel e culpabiliza o momento que é tão único, o nascimento de um filho, mas também o nascimento de uma mãe. Não conseguir amamentar no seio, algumas vezes é sentido como uma carga emocional excessiva e um fator de risco para a depressão pós-parto, por ser compreendida pela mulher como uma incapacidade de cuidar do seu filho.

Por isso, a importância de se ter um espaço de fala, onde você não será julgada, mas sim ouvida e respeitada dentro de suas possibilidades. Onde iremos acolher e fortalecer a sua competência diante da maternidade. Sem exigências de certo e errado, mas sim de possível.


Winnicott, foi um pediatra e psicanalista muito conhecido, ele trouxe o conceito de mãe suficientemente boa, ou seja, o que seu filho precisa não é de uma mãe “perfeita”, primeiro porque ela não existe, segundo porque somos humanos e precisamos garantir o suficiente. Mas acredite, isso será o melhor para vocês, enquanto mãe, bebê e família. E lembre-se você está em um processo de aprendizagem junto com seu filho portando não se cobre tanto, mas viva um dia de cada vez na busca constante da vivência com a maternidade real.


Sempre que necessário, procure o acompanhamento de um psicólogo (a) perinatal, antes da gestação, como preparo do planejamento familiar, na gestação, ou mesmo no pós-parto.




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