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Filme "Turning Red" e Reflexões sobre a Maternidade

Atualizado: 21 de mar. de 2022

por @psico.marimiguel

Imagem extraída de minhaseriefavorita.com

*CONTÉM SPOILER*


Que reflexões podemos fazer sobre maternidade através do filme Red – Crescer é uma fera?

O filme começa com a seguinte narração de Meilin (protagonista):


“Regra número um na minha família: honre os seus pais. Eles são os seres supremos que te deram a vida, que suaram e se sacrificaram tanto para pôr um teto sob à sua cabeça, comida no seu prato e uma quantidade épica de comida! O mínimo que você pode fazer para retribuir é... todas as coisas que eles pedirem. É claro que algumas pessoas dizem: Toma cuidado! Honrar os seus pais parece ótimo, mas, se levar isso à sério demais... bom... pode acabar não honrando a si mesma”.


Quantos pais criam seus filhos com essa mentalidade? A de que os filhos lhes devem a vida e são muito ingratos por simplesmente não obedecerem?


Essa crença geralmente leva à uma pressão para que a criança sempre corresponda às expectativas dos pais, o que geralmente torna-a insegura quanto ao amor deles quando isso não acontece. Logo, ela pode anular as suas vontades e impulsos porque precisa viver a vida que os pais desejam para ela e aí, como a narração de Meilin nos diz, a criança acaba desonrando a si mesma. Quantos adultos descobrem que estão vivendo os sonhos de seus pais e não os dele?


Ser criado dessa forma também pode levar a pessoa a se tornar dependente de aprovação dos outros, considerar a opinião do outro sempre mais importante que a sua e viver para agradar os outros, mesmo que tenha que se desagradar para isso. Quem vive assim, sabe a prisão que isso é.


E é justamente desse tema que trata o filme Red – Crescer é uma fera. A garota Meilin não aguenta tanta pressão para corresponder às expectativas da mãe e, a pressão aumenta ainda mais quando ela percebe que suas escolhas são diferentes daquelas que a mãe espera. É aí que ela se torna um enorme panda vermelho – símbolo de quando explodimos diante da pressão – e faz e fala as coisas que sempre gostaria, mas não tinha coragem.


Precisa chegar nesse ponto? Não! Mas, para isso, você, mãe, tem um papel fundamental na vida de seu filho.

Amor incondicional – é isso que as crianças precisam. Entretanto, não somos bons nisso. Amamos e demonstramos alegria enquanto nossos filhos nos obedecem. Quando não o fazem, mostramos toda a nossa frustração e decepção. Como eles enxergam isso?


“Só sou amado e aceito quando faço o que ela quer. Ela só fica feliz comigo quando sou bonzinho”. E isso é amor CONDICIONAL. Não é à toa que facilmente as crianças aprendem que precisam nos agradar para ter o nosso afeto. E depois, fazem o mesmo na relação com os outros.


O que fazer, então? A primeira sugestão que eu gostaria de dar, é a seguinte: ame o filho que você tem, e não o que você gostaria de ter tido. Esse seu filho real pode ser muito diferente do que você sonhou: é a menina que não faz ballet mas sim, luta; é o bebê chorão demais, é o filho que escolhe caminhos diferentes do que você gostaria...


Seu filho NÃO te deve a vida! Ele é um ser livre para viver as próprias escolhas. Ele não te deve obediência. Não! Cuidar dele, dar-lhe um teto e comida era o mínimo que você, como cuidadora, deveria fazer. Será ótimo se seu filho tiver gratidão por tudo o que você fez, mas esse sentimento certamente não virá pela cobrança.


Portanto, dê ao seu filho “asas para voar”. Deixe-o ser quem ele é, deixe-o tomar as próprias decisões, deixe-o viver a própria vida. Oriente-o, aconselhe, mas não aprisione. Quando ele errar, esteja lá para acolher, para ajudar a buscar soluções, para não permitir que ele se esqueça da pessoa incrível que é. Mas não esteja lá pra dizer “eu avisei”. “Se você tivesse me ouvido, isso não teria acontecido. Mas você é teimoso, não me obedece”.

Um adulto pode criar uma atmosfera que incita proximidade e confiança ou uma atmosfera que cria distância e hostilidade. É surpreendente como muitos adultos acreditam que podem ter uma influência positiva nas crianças depois de criarem distância e hostilidade em vez de proximidade e confiança.


Portanto, a segunda dica é: use os erros para proporcionar aprendizagem, ao invés de gerar culpa, vergonha e dor. Use-os justamente para criar proximidade e confiança com seu filho.


A criação de uma pessoa autoconfiante e feliz certamente passa por ser amada e aceita por quem é. Ajude seu filho a tornar-se a melhor versão de si mesmo – e não a versão que você gostaria que ele fosse. Ensine-o a respeitar sim as pessoas, mas até o limite de não desrespeitar a si mesmo para isso.


Mostre amor incondicional: você estará sempre com ele, sempre respeitando-o, mesmo que ele tenha atitudes ou escolha caminhos diferentes do que você gostaria. Liberte-o da necessidade de te agradar: quando você o trata com respeito e dignidade mesmo quando ele te desagrada, e corrige-o sendo firme e respeitosa ao mesmo tempo, isso geralmente transmite a mensagem de que você o ama, mesmo quando não concorda com o feito.


Se você não quer que seu filho vire uma “fera” quando crescer e se distancie de você para conseguir viver a própria vida, é melhor, ainda hoje, você rever suas práticas educativas!






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