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Guia prático (para homens): Como aliviar “um pouco” a carga mental materna

Escrito por: Mauricio Meireles (@paternidadecriativa)

Vou começar esse texto explicando porque usei a palavra “pouco” no título. Sabemos que a não participação dos homens na responsabilidade da paternidade ajuda muito no desenvolvimento dessa carga, porém existe também o outro lado da moeda, os pais que exercem sua paternidade presente mas encontram uma barreira de controle excessivo por parte das companheiras.

Acredito que as dinâmicas de cuidados em relação a criação dos filhos sejam diferentes para cada família, isso inclui os pontos de vistas de pais e mães, e como a maioria dos homens ainda alimenta a cultura do sistema patriarcal (provedor) a ideia de responsabilidade fica meio distorcida.

Para você que é um pai participativo e que ainda está se adaptando a essa nova responsabilidade, separei um guia prático com 5 atitudes para aliviar a carga mental materna. Vamos lá:

1. PROCURE, PESQUISE E FILTRE INFORMAÇÕES


Essa dica é superinteressante por dois pontos.

Como o homem ainda vive no sistema patriarcal, ele tem uma resistência muito grande em procurar informações sobre os cuidados e criação dos filhos e quando encontra normalmente não questiona se o método é bom ou não para dinâmica da família. Isso gera uma carga mental muito grande na companheira, pois normalmente ela que vai atrás dessas informações, avalia, questiona, discute, cria um TCC e entrega tudo mastigado para o pai.

O segundo ponto é que mesmo que tenhamos a atitude de ir atrás das informações, ainda existem pouquíssimas matérias e artigos voltados exclusivamente para os pais, comparados com as informações que tem voltadas para as mães.

2. ANTECIPE-SE

Um dos pontos que causam o desgaste emocional materno é a falta de atenção e previsibilidade masculina, questões práticas para alguns pode ser muito complexas para outros, mas quando falamos do cuidado com as crianças todas as questões devem ser compartilhadas por igual.


Questões como vacina, pediatra, kit remédio (alopáticos ou homeopático), alimentação e suas infinitas ramificações, contas a pagar e assim vai…

Uma boa forma de antecipar essas questões práticas é usar a imaginação e projetar como você resolveria tal situação.


Por exemplo: Para os pais de primeira viagem, você sabe o que fazer se seu filho tiver febre? Ou se ele tiver cólica?

Ou vamos deixar mais essa função com a mãe?


3. INCENTIVE A PROCURA DE REDES DE APOIO DE OUTRAS MÃES

Essa atitude pode parecer um pouco machista, pois dá a impressão que estou incentivando o homem a se livrar da responsabilidade, mas na verdade as redes de apoio são espécies de comunidades ou, se preferir, aldeias. E por mais que o homem seja mega desconstruído, ainda assim ele vai encontrar uma barreira empática de gênero que não passará.

Essa barreira é algo específico de gêneros, por exemplo:

  • Não conseguimos saber como é uma dor do parto.

  • Como são as mudanças hormonais.

  • Quais as sensações da amamentação e por aí vai.

Podemos até tentar entender todas essas fases, mas nunca vamos sentir como uma mulher sente, então dizer a famosa frase “eu sei como é” não ajuda muito, pelo contrário até piora.


Lembre-se, incentivar a procura de redes de apoio com outras mães não é machismo, mas sim um ato de acolhimento.


4. PRATIQUE A EMPATIA

Já que falamos da barreira empática de gênero, vamos falar sobre a prática da empatia. O desenvolvimento da empatia ajuda tanto na relação entre o casal quanto na relação com as crianças e reduz bastante a carga mental materna.

Um bom começo para praticar a empatia é primeiro entender o que é essa tal de empatia, então comece estudando um pouco sobre a CNV (comunicação não violenta), uma mudança comportamental desenvolvida por Marshall Rosenberg que usa a empatia como base de conexão verdadeira entre todas as pessoas.


5. SAIBA CONVERSAR

Acredito muito que a comunicação fluida é a base de qualquer resolução de conflito, porém nós seres humanos modernos ainda não aprendemos direito essa técnica. Estudos comprovam que 89% dos casos de conflitos familiares são provocados por falta de diálogo.


O segredo para ter uma conversa fluida com sua companheira ou seu filho é primeiro ter uma conversa verdadeira com você mesmo.

Já conseguiu expor suas fraquezas, suas angústias, suas frustrações, suas vergonhas para alguém?

Saber que nós somos capazes de sentir já é um grande avanço para o homem moderno, mas desenvolver a segurança de que podemos demonstrar esses sentimentos é um enorme alívio.

Então podemos tentar puxar uma conversa sincera e verdadeira com a pessoa que você se sente mais seguro neste mundo, que é você mesmo.


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