O que é a Educação Parental?


“Fazer um filho”, gerar, parir, amar…tudo isso é instintivo e natural.


Desenvolver habilidades para educar um ser humano, não.


Tornar-se mãe e pai é um dos trabalhos mais desafiadores de todos os tempos - e também um dos menos reconhecidos socialmente.


Essa falta de reconhecimento se dá também porque há o mito de que já deveríamos saber como fazê-lo, afinal, valores, rotina, cuidados básicos tem sido passados a séculos, de geração em geração: como poderíamos ter alguma dúvida sobre isso?


Bem, os tempos mudaram, as famílias mudaram, as crianças (e suas necessidades) mudaram também e, se tivermos a oportunidade de sentar em uma roda de pais e mães, saberemos que todos têm passado por novos desafios semelhantes.


Desafios comportamentais, insatisfação, falta de paciência, gritos, punições, castigos e palmadas, ou até permissividade (quando você, por cansaço ou não, deixa que a criança dite as regras).

Você gostaria de ter mais paciência? Gostaria que sua criança colaborasse mais?

Pra isso, é importante visitarmos a perspectiva infantil.


Você se lembra de como se sentia na sua infância, quando quebrava algo por acidente, sentia medo de ir até o quarto escuro pegar um brinquedo ou se machucava?


Medo, raiva, não se sentia amado...?


Muitos de nós sofríamos com a reação dos adultos nessas situações. Gritos, castigo ou outra coisa que machucava tanto quanto.


Talvez você não lembre como se sentia. Mas respirando fundo e observando como lidamos com nossos filhes, podemos resgatar essas memórias e entender o que nos faz agir de forma que não nos orgulhamos.


Isso é parte do processo de Educação Parental: nos olhar e compreender que, esses impulsos chamados de "educação", reações muitas vezes violentas, vêm das referências do que vivemos na nossa infância.


A Educação Parental pode ajudar todas as famílias, é um processo de longo prazo, onde através de autoconhecimento, métodos e ferramentas conseguimos nos conectar com nossas crianças, alcançar uma disciplina baseada no respeito e colaboração, fazendo da parentalidade mais fácil, agradável e feliz.

Porque, além de entender o que ativa o seu modo reativo, você vai compreender melhor as fases do desenvolvimento da criança e alinhar as suas expectativas à realidade do que a maturidade atual do seu filhe pode receber e dar.


Com essa percepção, as ferramentas de abordagem e comunicação fazem mais sentido e ficam mais possíveis de ser aplicadas.


E claro, esse processo não beneficia somente o dia a dia dos pais. Traz as crianças a possibilidade de construir uma base emocional mais sólida, o que a longo prazo, colabora para que esse seja um adulto no mínimo, mais feliz.


Apesar de a busca por informação ainda ser vista como algo negativo, como se fosse um reflexo de incapacidade de exercer seu papel como mãe ou pai, a educação parental não é apenas pra quem esta tendo problemas graves relacionados ao comportamento dos filhes, mas para todas as famílias pois traz mais confiança, troca de experiências, ferramentas e métodos que ajuda a todos a ter uma rotina familiar mais fluida, leve, respeitosa e gentil.


Devemos nos perguntar porque lemos livros sobre adestramento de animais, quando adotamos um animal de estimação. Ou porque buscamos cursos de especializações quando queremos aprender algo novo.


Investimos em planos de saúde e viagens, para garantir momentos felizes e a saúde da nossa família. Mas ainda somos hesitantes na hora de buscar nos desenvolver como mães e pais, sendo esse um dos melhores investimentos que podemos dar a nós mesmos e a nossa família.


É possível fazer esse caminhar mais leve, buscando ajuda, conhecimento e informações atualizadas.


É possível viver num ambiente em que há diálogo e colaboração.


Não tem receita mágica!


É um processo de longo prazo, que requer muito esforço e respirações profundas.


No fundo, o que todos queremos, é que quando nossos filhes tenham um problema, corram pros nossos braços e não da gente, não é?




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