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Puerpério: o que você precisar saber sobre

ATENÇÃO: Este não é um manual técnico sobre o que é o puerpério e o que acontece na vida da mulher nesse período. Apresento aqui alguns assuntos que gostaria muito de ter tido acesso antes do meu filho nascer e que com certeza teriam tornado esse momento muito mais leve e feliz.


Espero que ele possa ao menos acender a sua curiosidade para alguns temas aqui abordados. Então vamos lá!


Você vai perceber que ele dura muito mais do que 40 dias porquê não é somente o tempo necessário para o corpo estar “apto” para a relação sexual ou para os órgãos voltarem para o lugar, mas é o tempo de você se redescobrir como uma nova mulher e uma nova mãe, independente se é o seu primeiro filho ou não.


Nos primeiros dias haverá um turbilhão de emoções, crises de choro, irritabilidade e sensação de fragilidade: é o Blues Puerperal. Diferente da depressão pós parto, esses sentimentos podem aparecer em alguns momentos do dia e não passar todo o tempo desta forma. Se perceber que passa todo o tempo triste, chorosa e/ou irritada busque ajuda!


Você está idealizando uma criança, um parto e uma amamentação e pode frustrar-se com isso. Seu bebê não será do jeito que você imaginou, o parto pode ter intercorrências e a amamentação pode ser difícil, principalmente se você não se preparou para nenhum desses momentos. Quanto mais informação de qualidade você puder ter, melhor será essa fase, além de ser mais fácil reconhecer o que está fora da normalidade e poder pedir ajuda.


Invista em informação muito mais do que no enxoval! Tenha o contato de um banco de leite, de uma doula (mesmo que você queira fazer uma cesárea), de uma consultora de amamentação e também de alguém que de fato entenda de sono infantil e das necessidades inatas da infância. Elas podem salvar sua sanidade!




Procure conectar-se com sua criança interior e descobrir o que genuinamente te faz bem física, mental e emocionalmente, pois essas são as coisas que você não poderá abrir mão e são o que te manterão saudável e feliz.

É dançar? Cantar? Pintar? Ler? Meditar? Não se perca disso e faça tudo isso com seu bebê por perto, eles não são empecilhos e sim motivação para buscarmos o nosso bem esta.


Desde agora desacelere e procure observar como está a qualidade do seu sono, pois esse ser que virá e é totalmente dependente de ti, nasce extremamente conectado com a natureza. Então acordar e dormir cedo é natural e saudável para ele; além disso nos primeiros meses o sono varia bastante, pode dormir, quinze minutos, trinta minutos, uma hora, duas horas, é normal e esperado essas oscilações pois ele ainda está se descobrindo nesse novo mundo e inicialmente não consegue identificar quando é dia ou noite.


Use e abuse da cama compartilhada, do amamentar deitada e do dormir enquanto seu bebê dorme. Essas são excelentes alternativas para que você consiga descansar e estar disponível para o seu bebê. E saiba que nesse período poucos minutos de sono são suficientes para recarregar a energia e estar bem disposta para cuidar do seu bebê.

Outra possibilidade para relaxar e também para acalmar o bebê nos momentos de choro intenso são os passeios ao ar livre, próximos a áreas verdes. E não precisa esperar dar todas as vacinas para sair de casa. Procure locais com poucas pessoas e não deixe que toquem no seu bebê.


Observe o excesso de luzes artificiais (celular, TV, luz branca) em especial no final do dia, pois elas atrapalham a produção de melatonina e tanto você quanto o seu bebê terão dificuldades em relaxar e ter um sono reparador.


Lembre-se que ninguém poderá fazer por você! Comprometa-se com você e sua saúde!


Com tantos conselhos, esperamos que você se sinta melhor, além de perceber que está tudo bem se sentir vulnerável, a questão é pedir e procurar ajuda quando necessário.

Por aqui temos profissionais qualificadas a te escutar e auxiliar a lidar com qualquer sentimento que o puerpério traz consigo.


É verdade quando falam que seu bebê vai grudar em você e isso é necessário para a sobrevivência dele! De acordo com a neurociência eles nascem somente com o cérebro reptiliano desenvolvido, ou seja, o cérebro responsável pelas reações instintivas, pela sobrevivência; por isso que ao serem deixados no berço, no carrinho, no quarto muitos choram e ao estarem no colo logo se acalmam. Era isso que garantia a segurança aos bebês das cavernas.


Além do mais, ele está emocionalmente vinculado à você; ou seja, ele é capaz de sentir absolutamente tudo que você sente e manifesta muitas vezes, através do choro ou do comportamento, que algo não está bem com você. Por isso é tão importante que você cuide de si para que o seu bebê também fique bem.


Nos momentos em que não estiver bem, seja honesta com ele e diga o que está acontecendo. Ele não vai entender suas palavras mas com certeza entenderá seu sentimento e compreenderá que não tem culpa do que você está sentindo e assim poderá relaxar e ficar em paz para dormir ou brincar feliz e tranquilo.


O seio não é só alimento, é na verdade a forma mais simples e fácil dada pela natureza para facilitar esse primeiro contato entre você e seu bebê. Se não conseguir ou não quiser amamentar, ofereça você mesma a mamadeira ou outro dispositivo escolhido por vocês para alimentá-lo e o mantenha por perto o máximo que puder.


É no contato físico, na troca de olhares e no despojamento emocional total que vocês irão se conhecer e aprenderão a se amar... É daí que vem o amor! É lindo o poder que seu colo tem, aproveite!


De acordo com a criação com Apego, os bebês nascem extremamente ligados a um cuidador principal que é você, a mãe dele (por causa da gestação) e durante toda a sua primeira infância precisam ser atendidas por você em quatro necessidades inatas para desenvolverem-se física e emocionalmente:

  1. Proximidade e contato;

  2. Proteção;

  3. Previsibilidade;

  4. E play (brincadeira);

Seu bebê precisa sentir a sua presença física e emocional, precisa se sentir protegido por você e também ter uma mãe emocionalmente saudável. Além do mais, momentos de brincadeira que vão variando e aumentando conforme crescem são essenciais para ajudar no gasto energético e também na regulação emocional.


Sem o atendimento dessas necessidades, temos crianças com dificuldades com o sono (mesmo estando com a rotina bem ajustada), com mau comportamento e também crianças que adoecem muito e não conseguimos entender o motivo… Além do mais, podemos ter adultos suscetíveis a violência física e emocional, pois não sabem de fato o que esperar dos outros. Isso é muito sério! E na infância que toda base emocional é construída!


Não fique muito tempo sozinha e não queira dar conta de tudo! Peça ajuda para preparar a comida, para lavar a roupa, arrumar a casa e tudo mais para que você consiga focar em você e no seu bebê. Por isso é importante pensar e preparar uma rede de apoio. Quem vai lhe ajudar com essas coisas?


Passar por esse período sem ninguém por perto pode ser desafiador. Encontre ao menos uma rede virtual para lhe servir de apoio nos momentos mais difíceis




O papel de um pai maduro vai muito além de ajudar com a troca de fraldas, banho, arrotar ou colocar para dormir. O companheiro tem o papel de facilitar para que você consiga estar livre de todas as preocupações com casa, roupa, filhos mais velhos, contas a pagar, ou seja, tudo que não a permita se entregar plenamente ao bebê que acabou de chegar e a você mesma.


Outro papel do companheiro é o de defender a mãe contra conselhos nada construtivos, palpites ofensivos e qualquer coisa que venha de fora e possa desestruturar a mulher. Cumprindo esses papéis a mulher estará totalmente aberta e forte para amamentar, banhar, colocar para dormir, fazer arrotar e acalmar a sua cria.


Entenda que ele pode ajudar com o bebê, mas não é essa sua principal função e não é o que de fato vai lhe permitir estar forte emocionalmente para dar conta desse período. Conversem e procurem estabelecer desde já acordos claros e precisos sobre o papel de cada um. Dessa forma, quando estiverem vivendo no puerpério irão conseguir perceber se cada um de fato está cumprindo o acordo.


Sempre que precisar, verbalize o que precisa. Nem sempre está claro e o outro muitas vezes não terá a sensibilidade necessária para entender o que você de fato precisa. Seja clara na comunicação com todos que estão ao seu redor!


E para finalizar, deixo uma frase do livro de Maria Barreto no seu livro “O pequeno livro sobre o puerpério” e também recomendo que o leiam antes ou mesmo depois que o bebê nascer:

“Um rito de passagem. Uma ponte a ser atravessada. Uma iniciação”


Vai passar e se você permitir viver cada fase sairá dele muito mais forte do que entrou.

Um grande abraço!




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