A chegada do segundo filho



Havia um incômodo que eu tentava esconder quando estava esperando meu segundo filho.


Não dava pra falar sobre. Eu não sabia como as pessoas iriam interpretar, mas ele ficava ali... me cutucando...

Como eu poderia compartilhar ou falar que tinha dúvidas se amaria esse filho como já amava a minha primeira filha? As pessoas não estão prontas pra esse tipo de questionamento.


A verdade é que na correria da vida de uma mulher, trabalhadora e mãe, eu demorei um tanto para me conectar, mesmo desejando e sonhando muito com esse segundo filho. Estranho, né? Mas acontece muito.


No meu caso, na minha segunda gestação, o amor veio derrubando a porta, como um vendaval. Sabe a casa do porquinho feita de palha... e o lobo dando aquele mega sopro?!

Experimentei o amor de mãe se multiplicando quando aos 07 meses de gestação, perdi meu segundo filho. Quando me despedi, no mesmo dia que dei a luz e ele já era um anjinho, eu pensei: Nossa... Esse amor se multiplica... Quadruplica... Transcende!!! É verdade... é de fato!


Vivemos na sociedade do UM, e nos organizamos para que TODAS as necessidades do filho sejam supridas. Nada pode faltar: desde afetos, até oportunidades... De alguma forma, isso nos oprime cada vez mais... E eu me arrisco a dizer que acabamos perpetuando em nossas casas a lógica individualista, o enfraquecimento do poder de práticas mais coletivas.


Depois de contada essa história, para ilustrar um pouco sobre como o amor se multiplica, eu queria falar mais sobre o segundo filho.


Ah... Eu tive aqui um terceiro, que veio, ficou e tá aqui ensinando mais um tanto para nossa família. Mas vamos falar sobre o segundo filho, ou os segundos... O que você pode experimentar quando ele chegar?


- Ciúmes:


O primeiro filho, independente da idade dele, vai precisar de tempo para se situar. Isso pode significar regressões, birras, até mesmo alguns atos mais agressivos com o bebê que chegou (pode rolar: dedo no olho, beliscões... o papo de ter um adulto por perto sempre deve ser levado a sério).


Pode parecer que seu filho virou monstrinho, você pode não o reconhecer mais. E é verdade todos passaram por uma transformação. Ele também.


Como conduzir isso: Acolher, falar abertamente, ajudar a criança a entender o que está sentindo: “Eu sei que é estranho ter alguém com quem a mamãe precise ficar o tempo todo, eu sei que você pode pensar um monte de coisas, para mim também é diferente. Mas a gente já ama esse bebezinho e vai aprender junto a lidar com o que está difícil. Eu te amo! Vem cá, vamos juntos.”


- Como a gente dosa o amor e a atenção? Estou sendo justa?

Pode rolar do mais velho dizer: Você não me ama mais! Você só ama o bebê! Ou até mesmo: Você ama mais o bebê! Você não me dá mais atenção!


Quando acontecer vai ser uma chicotada no coração!


Será importante primeiro que você entenda. Nesse momento cada um precisa de uma atenção diferenciada, cada um tem necessidades diferentes. Você não faz mágica, todos vão precisar entender.


Não é quantidade de amor... é tempo, logística e necessidades. Se você estiver tranquila com isso, aos poucos vai conseguir que o mais velho entenda e sinta também. Aos poucos vocês vão criando estratégias. Mas não queira compensar, ou substituir... É necessário e importante que o mais velho passe por esse processo.


- “E o pai?!”



Como sempre o pai é figura fundamental. A qualidade da presença paterna fazendo acolhida e dando contorno as demandas do filho mais velho, são diferenciais para toda a transição das novas relações a se estabelecerem. Há um convite aí a uma reinvenção, até mesmo da relação desse pai com o filho mais velho, porque de alguma forma eles estarão “fora” e “juntos”, da tão “temida” e assustadora dupla “mãe-bebê”.


Gostou das considerações?! A proposta foi trazer reflexões escapando um pouco da ideia bastante abordada da importância de incluir o filho ou filhos mais velhos no cuidado com o bebê que chegou. Isso é ótimo! Mas acho importante falar sobre algo que precisa acontecer que é uma reconstrução de lugares, tempos e papéis onde todos “perdem”... e precisam perder para que as novas dinâmicas se estabeleçam!


Mergulhados na nova dinâmica, todos entendem e experimentam: O amor se multiplica!


Você está pensando em ter outro filho? Está grávida? Seu segundo filho nasceu?


Compartilhe conosco como está sendo por aí! :)


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