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Como devo educar meu filho?

Atualizado: 9 de mar. de 2023

Por Mariana Miguel | Psicóloga de Mães | @psico.marimiguel


Parafraseando “Alice no país das Maravilhas” que, quando está perdida, pergunta ao gato: “Que caminho devo seguir?”, ao que ele responde: “Depende! Aonde você quer chegar?”.


Pode ser estranho trazer essa reflexão para a criação de filhos porque muitas pessoas entendem que cada criança é única e que não existe uma “receita de bolo” para criar filhos. Portanto, cada um deveria fazer o que achar melhor! Entretanto, o comportamento humano é bastante previsível e a Psicologia nos ajuda a entender que práticas educativas nos levarão à desfechos mais favoráveis e quais não!


Após anos de estudos, a Psicologia nos apresenta 3 estilos parentais e os prováveis desfechos para o desenvolvimento dos filhos:


O primeiro e muito conhecido, é o estilo que usa de castigos, críticas, humilhações e punições para educar. Chamaremos de estilo Autoritário. Não vou te dizer que punição não funciona, porque isso não é verdade! Mas o que precisamos pensar é: a que preço ela funciona?


Punição não cultiva um senso de autonomia saudável e não ensina habilidades de vida. Ou seja: a criança obedece por medo da punição e não porquê aprendeu a ser cooperativa, responsável e respeitosa!


Punição interrompe o mau comportamento naquele momento, mas em breve ele recomeça e você precisará punir seu filho novamente.


As crianças se sentem ressentidas, completamente desconectadas de seus pais, e geralmente conclui que não pode confiar neles, pois são fonte de amor E de dor.


As crianças podem desenvolver um comportamento passivo-agressivo (fazer coisas que sabe que os pais não vão gostar, para justamente atingi-los e se vingar deles)


Crianças punidas frequentemente podem se tornar excessivamente submissas e tímidas ou rebeldes. Também podem aprender a mentir e\ou fazer escondido para fugir da punição.


Muitos adultos podem pensar que estão ganhando muitas batalhas da disciplina ao punir seus filhos e perceber que o comportamento muda ali imediatamente ou a curto prazo. No entanto,

eles inevitavelmente perdem a guerra quando as crianças são levadas se distanciam emocionalmente deles, e são levadas a se vingar, evitar serem pegas, a obedecer por medo ou por um sentimento de desvalorização.


Muitos pais temem que se não punirem seus filhos, só lhes restará serem permissivos. Entretanto, eliminar a punição não significa permitir que a criança faça o que quiser. Nós precisamos oferecer oportunidades para que as crianças experimentem a responsabilidade em uma relação direta com os privilégios dos quais desfrutam. Caso contrário, elas se tornam receptores dependentes que sentem que a única maneira de sentir que são aceitas e que têm importância é manipulando as pessoas à seu favor.


E isso nos leva ao segundo estilo parental: o Permissivo.


Ser permissivo, em outras palavras, é deixar a criança fazer o que quer, é superprotegê-la, é poupá-la de lidar com qualquer decepção, é assumir responsabilidades que ela já poderia assumir por si só, é fazer pela criança o que ela poderia fazer por si mesma, é atender a todos os desejos dela, é garantir que ela nunca sofra. Todos esses métodos parentais criam fraqueza.


Como a autora Jane Nelsen conta, a história do garotinho e da borboleta pode ajudá-lo a entender como resgatar crianças de todo sofrimento cria fraqueza:


Um menino sentiu pena de uma borboleta lutando para sair de sua crisálida. Ele decidiu ajudar para salvar a borboleta da luta. Então ele descascou a crisálida para a borboleta. O garotinho ficou tão animado ao ver a borboleta abrir suas asas e voar para o céu. Então ele ficou horrorizado ao ver a borboleta cair no chão e morrer porque não tinha força muscular para continuar voando.


Como o menino, os pais muitas vezes (em nome do amor) querem proteger seus filhos das lutas. Eles não percebem que seus filhos precisam lutar, lidar com decepções, resolver seus próprios problemas, para que possam desenvolver seus músculos emocionais e desenvolver as habilidades necessárias para as lutas ainda maiores que encontrarão ao longo de suas vidas.


É importante que os pais não façam os filhos sofrerem, mas às vezes é mais útil “permitir” que eles sofram com apoio.

Por exemplo, suponha que uma criança “sofra” porque não pode ter o brinquedo que deseja. Permitir que ela sofra com essa experiência pode ajudá-la a desenvolver seus músculos de resiliência. Ela aprende que pode sobreviver aos altos e baixos da vida - levando a um senso de capacidade e competência. A parte de apoio é que você valide os sentimentos dela, mas evite resgatá-la ou repreendê-la”.


Bondade sem firmeza é permissividade.


A mãe pássaro sabe instintivamente quando é hora de empurrar seu filhote para fora do ninho para que ele aprenda a voar. Se não soubéssemos, poderíamos pensar que isso não é muito legal da mãe pássaro. Se o passarinho pudesse falar, poderia estar dizendo: “Não. Eu não quero deixar o ninho. Não seja tão mau. Isso não é justo." No entanto, sabemos que o filhote de pássaro não aprenderia a voar se a mãe pássaro não desse esse empurrão importante.


Muitas pessoas que desejam educar seus filhos com respeito, erram para o lado da falta de firmeza. Eles são contra a punição, mas não percebem que a firmeza é necessária para evitar a permissividade.


A permissividade não é saudável para as crianças porque é provável que elas decidam: “Amar significa fazer com que os outros cuidem de mim e me dêem tudo o que eu quero”. Quando os adultos assumem papéis de supermães ou superpais, as crianças aprendem a esperar que o mundo as sirva, e não que elas sirvam ao mundo. Essas são as crianças que acreditam que não é justo quando não conseguem as coisas do jeito delas. Quando os outros se recusam a servi-las, elas sentem pena de si mesmas ou buscam vingança de forma destrutiva e dolorosa.


Então você deve estar se perguntando: “Como devo educar, afinal de contas?”. E agora eu vou te apresentar o terceiro (e melhor) estilo parental: o que reúne firmeza e respeito!


Esse é o estilo que reúne a necessidade de se ter regras e limites com respeito pela criança, por você e pela situação! Ser firme e respeitosa! Esse é o desafio!

As crianças não desenvolvem responsabilidade quando pais são muito controladores, mas também não se tornam responsáveis quando são permissivos. Crianças adquirem responsabilidade quando têm a oportunidade de aprender habilidades sociais e de vida valiosas para desenvolver um bom caráter em um ambiente de firmeza, gentileza, dignidade e respeito.


Voltando ao nosso exemplo da criança que “sofre” porque não pode ter o brinquedo que deseja: Não ajuda quando os pais se envolvem em "pegadinhas" - acrescentando repreensões, culpa e vergonha ao que a criança está vivenciando.

“Pare de chorar e agir como uma criança mimada. Nem sempre você pode ter o que deseja. Você acha que eu sou feito de dinheiro? Quando eu tinha a sua idade tudo o que eu ganhava era um chocolate!”


Em vez disso, os pais podem oferecer apoio amoroso. “Eu posso ver que isso é muito perturbador para você. Pode ser muito decepcionante quando não conseguimos o que queremos.” Ponto.


Valide os sentimentos de uma criança e depois permita que ela se recupere desses sentimentos. “Posso ver que você está muito desapontado por não ter tirado uma nota melhor.” Então vem a parte difícil - sem resgate e sem sermões. Simplesmente permita que ela descubra que pode superar sua decepção e descobrir o que pode aumentar suas chances de conseguir o que deseja no futuro.


Entenda o ponto de vista de seu filho. Valide o que ele sente. Ofereça acolhimento. Ofereça ajuda. Ofereça sua presença e seu amor. Mas deixe-o lidar com a situação e com os próprios sentimentos. Esse é o estilo educativo que favorece o desenvolvimento de uma criança com uma autoestima saudável, melhores habilidades sociais, menores índices de adoecimento psicológico, que se envolvem em relacionamentos mais saudáveis, que têm um senso saudável de autonomia e autoconfiança. São essas crianças que vão aprender a ser responsáveis sem que isso lhes custe sua autoestima e seu desenvolvimento emocional. São essas as crianças que vão se sentir amadas incondicionalmente por seus pais, o que as levará a ter um bom comportamento – pois, quem se sente bem, se comporta bem! Esse é um dos fundamentos da educação respeitosa!


Portanto, buscar um equilíbrio entre a necessidade de proteger seu filho e permitir que ele corra riscos e assuma responsabilidade, deve ser o nosso objetivo. E sempre lidando com a situação e com a criança de maneira digna, respeitosa e amorosa!


Termino com as palavras da querida Jane Nelsen: “Tenha fé em seus filhos de que eles podem aprender e crescer com o sofrimento, especialmente em um ambiente de apoio. A verdadeira bondade e firmeza juntas fornecem um ambiente onde as crianças podem desenvolver as “asas” de que precisam para voar pela vida”.




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