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Você sabe o que é diabetes gestacional?

Confira aqui como identificar e o que fazer ao se deparar com o diabetes mellitus gestacional (DMG).

Foto: arquivo digital

De acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS) a diabetes mellitus gestacional (DMG) é definida como uma intolerância aos carboidratos de gravidade variável, que se inicia durante a gestação atual. Popularmente dizemos que a diabetes gestacional se caracteriza basicamente por aumento dos níveis de glicose no sangue.


Durante o período gestacional ocorrem adaptações nas produções hormonais para facilitar a manutenção da gravidez e o consumo de glicose pelo feto. Alguns hormônios produzidos pela placenta e outros aumentados pela gestação, tais como lactogênio placentário, cortisol e prolactina, podem reduzir a atuação da insulina em seus receptores. Uma vez que haja tal redução, o pâncreas aumentará a produção de insulina a fim de estabelecer uma compensação. No entanto, quando a gestante já está com essa produção no limite máximo, o pâncreas pode não conseguir aumentar essa produção e consequentemente teremos um quadro de hiperglicemia.


A diabetes gestacional é considerada o problema metabólico mais comum na gestação e tem prevalência em 3 a 25% das gestações, dependendo do grupo étnico, da população e do critério diagnóstico utilizado, e nem sempre virá acompanhado de sintomas específicos para esta condição, por este motivo, recomenda-se o rastreio em todas as gestantes.


Desde 2017, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), em associação com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Ministério da Saúde (MS) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), passou a adotar os novos critérios para rastreamento e diagnóstico do DMG em todo o território nacional.


Desta maneira, recomenda-se que na primeira consulta pré-natal, seja solicitado o exame de glicemia de jejum. Se o valor encontrado for ≥ 126 mg/dL, será feito o diagnóstico de diabetes mellitus, devendo essa gestante ser acompanhada como aquelas com diabetes pré-gestacional. Se, porém, a glicemia plasmática em jejum for ≥ 92 mg/dL e < 126 mg/dL, será feito o diagnóstico de Diabetes Mellitus Gestacional. Em ambos os casos, deve-se confirmar o resultado com uma segunda dosagem da glicemia de jejum. Caso a glicemia seja < 92 mg/dL, a gestante deve ser reavaliada no segundo trimestre.


Foto: arquivo digital

A partir de 24 semanas (preferencialmente entre 24-28 sem), é recomendado novo rastreio, por isso todas as gestantes devem realizar o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 75 g de glicose anidra. Os novos pontos de corte para este exame são: jejum< 92 mg/dl ; 1ª hora < 180 mg/dl e 2ª hora < 153 mg/dl. Segundo esses novos critérios, um valor anormal já leva ao diagnóstico de DMG.


Alguns fatores estão associados com maior risco de hiperglicemia na gravidez, como:

  • Sobrepeso/obesidade (IMC ≥ 25Kg/m2 )

  • Antecedentes familiares de DM (primeiro grau)

  • Antecedentes pessoais de alterações metabólicas

  • Duas ou mais perdas gestacionais prévias

  • Macrossomia (recém-nascido anterior com peso ≥ 4000g)

  • Óbito fetal/neonatal sem causa determinada, entre outros.

Então se você tem um ou mais critérios como esse, fique atenta ao rastreio e ao seu estilo de vida.


O tratamento inicial do DMG, de acordo com a SBD, consiste em monitoramento da glicemia capilar, prática de atividade física e orientação alimentar que permita ganho de peso adequado e controle metabólico. O cálculo do valor calórico total da dieta deve ser feito de acordo com o índice de massa corporal (IMC) e não apenas pelo ganho de peso mensal. Deve-se dar preferência ao consumo de alimentos que contenham carboidratos com baixo índice glicêmico. Este tipo de dieta se associou à diminuição da necessidade de indicar o uso de insulina e também a um menor ganho de peso do bebê ao nascer. No entanto em alguns casos será necessário o tratamento farmacológico.


A SBD afirma existirem evidências que sugerem que a intervenção em gestantes com DMG pode diminuir a ocorrência de eventos adversos na gravidez. No entanto, as gestantes com ótimo controle metabólico e que não apresentam antecedentes obstétricos de morte perinatal, macrossomia ou complicações associadas, como hipertensão, em muitos casos poderão aguardar a evolução espontânea para o parto até o termo. Em casos de difícil controle glicêmico, pode ser avaliada a indicação de indução do parto com medicamentos, de qualquer maneira, a via de parto , bem como a indicação de indução dependerá de inúmeros critérios e deverá ser decidida em conjunto com a família e o obstetra responsável pelo atendimento.


Existem fortes evidências de que mulheres que tiveram DMG tem um risco significativo de desenvolvimento de DM do tipo 2 ou de intolerância à glicose após o parto, por isso recomenda-se novo rastreio 6 semanas após o parto para garantia da continuidade do tratamento de maneira adequada.


Se você está fazendo pré-natal e ainda não passou por esse rastreio, converse com seu pré-natalista. Se cuidar mantendo uma dieta saudável, praticando atividades físicas e de bem estar são aliados para a diminuição do estresse, de dores musculares e principalmente de intervenções farmacológicas e desfechos negativos.




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Referências: SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes. 1ed. São Paulo: Clannad. 2019. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/DIRETRIZES-COMPLETA-2019-2020.pdf ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, MINISTÉRIO DA SAÚDE, FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Rastreamento E Diagnóstico De Diabetes Mellitus Gestacional No Brasil. Brasília. 2017. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/pdf/diabetes-gestacional-relatorio.pdf





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